A degradação dos recursos naturais aumenta o desafio de alimentar uma população que deve chegar aos 9 bilhões de pessoas em 2050
A degradação e a
escassez de terras e água colocam em perigo vários sistemas de produção de
alimentos em todo o mundo e representam um desafio para alimentar a população
mundial, que pode chegar a 9 bilhões de pessoas em 2050. Esta é a conclusão de
um comunicado da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação
(FAO). Um dos "sinais de advertência" do relatório é que as
taxas de crescimento da produção agrícola diminuíram em muitas áreas e
atualmente não chegam à metade do que eram no apogeu da Revolução Verde
(décadas de 1960 e 1970).
De acordo com a FAO,
atualmente muitos desses sistemas correm o risco de perder de forma progressiva
sua capacidade produtiva por causa da pressão demográfica e de práticas e usos
agrícolas insustentáveis. "O estado dos recursos mundiais de terras e água
para a alimentação e a agricultura mostra que apesar do aumento nos últimos 50
anos na produção de alimentos, os lucros se associaram a práticas de gestão que
degradaram as terras e os sistemas hídricos daqueles que dependem da produção
de alimentos", diz o relatório.
Os gargalos em
recursos naturais levarão à concorrência pelas terras e pela água, diz o
relatório. A disputa será entre usuários urbanos e industriais e dentro do
setor agrícola, entre a produção pecuária, a de cultivos básicos, a de cultivos
não alimentícios e a produção de biocombustíveis. Em consequência, será
enorme o desafio de proporcionar alimentos suficientes para um planeta que tem
cada vez mais fome, especialmente nos países em desenvolvimento, onde as terras
de boa qualidade, os nutrientes do solo e a água são menos abundantes, diz o
relatório. "É previsto que a mudança climática modifique as
temperaturas, as chuvas e a abundância dos rios, que são responsáveis pelos
sistemas de produção de alimentos do mundo", diz o comunicado.
O relatório ressaltou
que o conjunto de repercussões destas pressões e as transformações agrícolas
conseguintes puseram alguns sistemas de produção em risco de decompor a
integridade ambiental e sua capacidade produtiva. Estes sistemas em risco
poderiam não contribuir como se esperava para satisfazer as demandas humanas em
2050. "As consequências do ponto de vista da fome e da pobreza são
inaceitáveis. A ação corretiva precisa ser tomada agora", disse Jacques
Diouf, diretor-geral da FAO.
Entre 1961 e 2009, a superfície agrícola
mundial cresceu 12%, mas a produção agrícola cresceu 150%, graças a um aumento
significativo dos rendimentos dos principais cultivos.
O relatório ressalta a
imagem de um mundo que experimenta um crescente desequilíbrio entre
disponibilidade e demanda de terras e recursos hídricos nos planos local e
nacional. O número de áreas que chegam aos limites de sua capacidade
produtiva aumenta rapidamente. O relatório adverte que "25% das terras do
planeta estão degradadas".
Outros 8% apresentam
uma degradação moderada, 36% estão em condições de estabilidade ou degradação
ligeira e 10% se classificam como terras que estão melhores. A superfície
restante do planeta está descoberta (cerca de 18%) ou coberta por massas de
água continentais (2%).
A definição da FAO de
degradação vai além da deterioração das terras e das águas em si, e inclui uma
avaliação de outros aspectos dos ecossistemas afetados, como a perda de
biodiversidade. Segundo o relatório, não há região imune, em todo o
planeta há sistemas em perigo, das terras altas dos Andes até as estepes da
Ásia Central, da bacia hidrográfica do Murray-Darling na Austrália até o centro
dos Estados Unidos.
Tema relacionado http://veja.abril.com.br/multimidia/video/as-grandes-extincoes


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